sábado, 28 de agosto de 2010

No pain, no gain...

Antes de tudo, por mais que não haja motivos, peço desculpas por levar tanto tempo para postar. Um mês... É, com certeza não era esse intervalo que eu queria dar entre as postagens. Se lhes interessa saber os motivos, não tenho tido tempo e, quando o tenho, não tenho psique para escrever aqui e acabo preferindo mil vezes passar esse tempo falando com pessoas como a minha irmã Jéssica. No fim, não tem sido tão simples arrumar tempo e criar vontade para cumprir as obrigações que só eu me cobro.

Dito isso, venho dizer que estou na parte do meu mês, um período de alguns dias, em que eu consigo pensar de forma lógica e clara, a parte de problemas e tudo mais. Gostaria de aproveitar isso para escrever aqui. Isso e o fato de eu ter algumas horas antes do barzinho desse sábado onde vamos comemorar mais um ciclo de vida de uma amiga muito importante.

Um mês pode representar muitas coisas ou quase nada. Esse que se passou, por exemplo, correu em uma velocidade absurda e não trouxe grandes coisas. Isso era verdade até essa semana. E que semana.

A começar, peço que, antes de você continuar a ler, pare e faça um breve minuto de silêncio em homenagem a perda que um colega próximo do lugar onde eu estagío sofreu. É sempre uma dor grande, por mais que alguém possa estar preparado, se é que alguém está realmente preparado para isso. Que a alma que partiu desse mundo descanse em paz na compania da força maior em que essa alma acreditava, seja ela qual for.

Ao menos essa que é a única certeza que temos desde que entramos nesse mundo deixa marcas e dor apenas nos que ficam, não há mais dor terrena para os que vão. Esse fato serve de consolo para aqueles que são deixados para trás, como pedra fundamental a ser usada para nos reerguermos e retomarmos nossa longa caminhada.

Há perdas e perdas. Algumas físicas e outras mentais, além das perdas do espírito. Somos todos formados por essa trindade e toda energia canalizada por nós (principalmente o Amor) toma essas formas e seus resultados se refletem em nós em respectiva parte. A primeira vez de alguém em qualquer coisa, como cantar num palco ou realizar um vestibular ou aquilo mesmo que você pensou quando leu "primeira vez", é, per se, uma perda a ser caracterizada em uma ou mais partes dessa trindade. Perdas não são boas ou ruins, elas apenas nos ensinam a lidar com rompimentos de natureza correspondente às partes que ela representa.

Dentre perdas, há destaques a serem feitos. A primeira perda importante a se entender é a consciente. Os exemplos de primeira vez são, geralmente, perdas desse tipo. Sua atitute visou aquela ocorrência ou você concordou com ela. Os resultados das nossas escolhas também são perdas conscientes e a dor que eles podem trazer existem quando não estamos preparados para lidar com as consequências do que escolhemos. Todos passamos por isso e é mais comum do que muitos pensam.

Outro tipo de perda que merece atenção especial é a perda involuntária. Tudo em nossa vida é baseado em escolhas e, uma vez tomadas, não há volta e você já passa pela perda consciente do fato. Após a escolha, uma parte do seu caminho será caracterizada apenas pela lida do destino, da vida, da natureza, de Deus ou de sabe-se lá o que seja. Pessoas tendem a viver a vida sem se importar com essa parte e fazem muito bem, se isso lhes faz bem. Não sou uma dessas pessoas. Durante essa lida, sua escolha pode ser confirmada como uma boa opção ou pode ser destruida ou sofrer ainda outras ações indistintas.

É nesse ponto que pessoas quebram a cara. Escolhas são a chance que você tem de definir o caminho que irá te levar ao ponto onde você precisa chegar. Esse ponto não vai mudar, você vai cumprir a sua razão de viver, mesmo que ninguém faça idéia do que ela seja. Se o resultado de uma escolha hoje lhe trás felicidade, aproveite, pois nada garante que o destino dele não seja se transformar em dor ou decepção. Se isso acontecer, você sofrerá uma perda de caráter muito diferente da anterior. E, com ela, virão muitas lições para o restante da jornada.

O inverso é também verdadeiro. Sofrer por uma escolha e depois ver seu resultado lhe trazer uma razão para ser feliz (provavelmente muito mais feliz do que se você não tivesse experimentado o sofrimento) não só existe como também é um caminho mais duro e recompensador a longo prazo. É, portanto, uma perda. Abrir mão do que lhe faria feliz para que seja maturado e dure mais e melhor é o tipo de perda que constrói e destrói conclusões e conhecimento em nossa mente.

Faça escolhas com sinceridade, aceite suas consequências, preste muita atenção às suas perdas e aprenda com elas. Eu faço isso pensando no futuro, mas se você vive o presente e o resto que se foda, faça isso ao menos no presente. A dor não irá sumir e se ela for sincera as marcas vão persistir para sempre, mas ela será mais uma razão, um degrau para crescer e alcançar o seu melhor.

Buscar a felicidade é natural do ser humano e nós tendemos a seguir o caminho fácil, que aparentemente representa menos rupturas e que nos force menos a olhar para dentro de nós mesmos e dizer "perai, o que eu pensava que sentia era outra coisa". Esses caminhos nos fazem pensar que haverá menos dor e que tudo serão rosas até chegarmos lá, mas todos nós vamos passar pelas dores que devemos passar e vamos passar por rupturas até que alcancemos sentimentos de carater puramente sincero, de corpo, mente e espírito, como o Amor apresentado no post anterior.

Não existe avanço sem perdas, não existe aceitação sem sacrifícios. Saiba o que você é capaz de relevar e abdicar, talvez os espinhos do caminho real não doam tanto quando a decepção do fim da ilusão, nada mais do que a única coisa que se consegue fechando os olhos para o que realmente existe no fundo e que você renega.

"A tristeza é inferior, mas permanente. A felicidade é soberana, mas temporária. A questão é como você a faz durar e com quem..." (Luiz Luchesi)




PS.: Reintero meus pêsames ao meu colega. A dor é a benção e a maldição exclusiva dos vivos, para nos lembrar de que há caminhos ainda a trilhar.

PS2.: Abraço para um amigo próximo, por tomar uma decisão e por enfrentar o mundo que o tenta prender e atrasar. Esse post tem MUITO de mim, mas eu o dedico a você. Ninguém sobe sozinho.