Dito isso, peço desculpas pela minha absência por aqui. A vida deu uma de Senhora Ironia novamente e mudou todas as configurações da minha mente a 2 semanas atrás. Os mais próximos sabem o que se passa e aos poucos as coisas vão se tornando oficiais e mais e mais importantes. Só espero que ninguém fique com uma imagem de hipócrita de mim, visto que, muitas vezes durante a nossa caminhada, devemos abrir mão de algo que carregamos para podermos levar algo muito maior ou que nos trará uma caminhada melhor.
Depois de falar de perdas, seria muito pertinente nos focarmos em um tipo específico delas: A abdicação. O ato de abrir mão e a capacidade de relevar são virtudes importantíssimas do ser humano. Mas isso pode ser mais profundo do que parece.
O que pensamos ao falar de abdicação é geralmente relacionado à renuncia física ou mental de outrem. Algo do tipo "Eu abro mão disso para que outra pessoa aproveite e tenha uma oportunidade". Nobre? Com certeza, mas não chega perto da maior renuncia que as pessoas podem fazer, uma renuncia cujos ator e alvo são você mesmo.
Conforme crescemos e agregamos conhecimento do mundo que nos cerca, vamos, aos poucos, construindo concepções que nos guiam pelos tortuosos caminhos da vida. Assumimos verdades e seguimos acreditando nelas. Na maioria das vezes, isso dá bons frutos e é, inclusive, a grande ideia de construir o caráter pessoal. O problema aparece quando as verdades assumidas causam dor, sofrimento ou angustia, seja a si mesmo ou às pessoas ao seu redor.
Muitas vezes se destruir ou rebaixar pode ser uma boa saída para mostrar ao mundo que você está se sacrificando por algo maior, a espera de um sol nascente com mais brilho. Sacrifícios são notáveis, mas muitas vezes levam apenas a autodestruição. É nesse momento que as pessoas devem parar para pensar no que têm feito e refletir sobre a seguinte questão: "Será que essas verdades são reais ou eu as criei para meu próprio mundo? Esse meu mundo reflete a realidade? É possível, viável ou ao menos válido continuar uma luta aparentemente perdida?"
Nesse ponto, muitas vezes a melhor saída é enxergar o quão bem e mal suas decisões causaram e pesar com muita seriedade uma decisão mais radical: Abrir mão das suas concepções. Pessoas não mudam em essência, elas se adaptam à realidade na qual elas estão inseridas, ou, em outras palavras, evoluem. Suas concepções não são parte da sua essência, mas sim adaptações anteriores que agora podem não fazer mais sentido.
É óbvio afirmar que a realidade em si é completamente relativa e que, muitas vezes, nós não vamos perceber que nossas concepções não valem mais nada. Mas devemos sempre estar prontos para renunciar àquilo que nos prende a uma cadeia de eventos que não nos fazem melhores em nenhum aspecto, pois a vida vai tratar de jogar na nossa cara o quão imbecis fomos.
O fluxo de energia que regra a nossa caminhada é imparcial e definitivo. Teremos o que devemos ter assim que o merecermos. O destino é realmente bem babaca a ponto de pisar em nós e nos mostrar o quão insignificantes nós somos para vermos o que realmente significa "viver" e só então nos entregar algo que pode não ser aquilo que esperávamos, mas, definitivamente, supera toda e qualquer expectativa.
Caminhar um passo por vez, aprendendo a olhar para os lados e ver quem caminha conosco e aprender a deixar para trás as amarras que nós mesmo criamos para entender a vida. Talvez esse seja um caminho mais promissor do que fechar os olhos e abraçar o conformismo que nos é imposto todos os dias.
"Thou dost not and wilt not walk alone. What is thine to thee shall be legated when it shall be that way."
(Tu não caminhas e não há de caminhar sozinho. O que é teu a ti será legado quando assim tiver de ser.)
Luiz Luchesi
Ainda caminho sob o conformismo, tenho medo, insegurança. Ao me deparar com algumas coisas, me sinto um bebê que nem sabe caminhar ainda.
ResponderExcluirDe fato abdicar é um ato, ao meu ver, muito nobre.
ResponderExcluirHoje me vejo na situação onde jah pensei em fazer uma grande renuncia, de uma decisão que meu coração, minha mente e meu espírito me fizeram tomar, pois as vezes acho que eles se enganaram. Porém existem muitos outros elementos que me fazem manter minha decisão.
É impossível de explicar o que é, sem gastar um post inteiro do meu amigo.
Mais isso é forte o suficiente pra me dar a certeza de que fiz a escolha certa e que apenas me falta provar ao destino que nada nesse mundo e nem em outro, me fará ter arrependimento da decisão que tomei.
As vezes tenho medo de ter tomado a decisão errada, mais pra quem não está seguro o suficiente, tenha certeza de que se você quiser realmente qualquer coisa, é possível. Basta que você se dedique e se empenhe em conseguir os seus objetivos.
Apenas quis dividir algumas experiências aqui,
talvez alguma coisa não faça sentido, mais espero que sirva de algum proveito.
Mto bom Post Luxiel. Parabéns!!